Páginas

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

PLATÃO x DEMOCRACIA


UM OLHAR SOBRE A DEMOCRACIA À LUZ DA
VISÃO PLATÔNICA

Utilizando em suas obras o método do em diálogo, em Platão afirma que o mundo seria perfeito se os homens fossem modestos; bastaria a prática do em anarquismo em. Os homens, contudo, não se contentam com; a vida simples, pois os domina a cobiça e o luxo. Logo eles se aborrecem com o que possuem e anseiam pelo que não conseguem alcançar. Disso resulta um Estado invadir o território de outro, originando a guerra. O incremento do comércio favorece o surgimento de fortunas impessoais, trazendo consigo novas divisões da sociedade em classes. Ora, tais mutações sociais originam convulsões políticas; quando a riqueza do negociante ultrapassa a do proprietário de terras, a aristocracia cede lugar a uma oligarquia plutocrática de negociantes e banqueiros. Então a arte de governar é substituída pela politicalha, enfim, pela estratégia dos partidos na sua luta para alcançar, em proveito próprio, os benefícios públicos.
Entretanto, diz Platão, todas as formas de governo tendem a fenecer em virtude da hipertrofia de seu princípio básico. A aristocracia decai porque restringe, em demasia, o círculo do poder; a oligarquia perde-se pela imprudente ambição dos oligarcas, com vista ao enriquecimento imediato, sendo a revolução desfecho em ambos os casos. Surge, então, a democracia, cujo princípio básico é a liberdade de direitos: todos têm o direito de ocupar cargos públicos e de exercer o poder. Entretanto, a própria democracia vai hipertrofiar-se, porque o populacho não está preparado para escolher os melhores e os mais sábios para governar, pois ama a lisonja e se limita a repetir o que ouve dos dirigentes. Ora, tal democracia só pode desembocar na tirania, quando um homem que se proclama em protetor do povo em empalma o poder. Assim, na filosofia política platônica vamos encontrar dois problemas fundamentais: descobrir um meio eficaz de impedir que os inaptos e os aventureiros tomem o poder e selecionar os melhores para o governo da comunidade.
Democracia significa, então, igualdade de oportunidade para o exercício da política e seleção dos mais aptos para isto; Os governantes não serão eleitos graças às artimanhas políticas daqueles que controlam as eleições, mas em virtude da própria aptidão.
Com efeito, ninguém poderá exercer cargos públicos sem prévia educação especializada, nem ocupará os postos mais elevados sem ter, antes disso, exercido com dignidade os inferiores. A comunidade deve, assim, ser dirigida pelos seus melhores dentro de uma em aristocracia democrática.
Em Platão, aliás, concebia a verdadeira justiça como; um princípio que impunha determinada estrutura às partes de um todo, princípio este que determinaria que cada um fizesse o que lhe correspondesse. Em A República em, a obra mais conhecida de Platão, mas não a definitiva, o filósofo compara o Estado ao ser humano, a um organismo antecipando-se às correntes organicistas contemporâneas. Para ele, o Estado tem a mesma estrutura e funcionamento do corpo humano. Assim, no dizer de Platão, os homens são naturalmente desiguais. Alguns representam o ouro e têm como virtude a em sabedoria, em outros representam a prata e têm como virtude a em fortaleza; em e um terceiro escalão representa o ferro e o bronze, tendo como virtude a em temperança em.
Os homens de ouro seriam os filósofos, predestinados a administrar a comunidade; os homens de prata seriam os guerreiros zelando pela defesa da sociedade; os homens de ferro e de bronze seriam os artesãos, cuja finalidade seria a produção de bens para a subsistência de todos. Cada uma dessas castas deve realizar em estritamente em a tarefa que lhe é confiada e para qual cada indivíduo se acha naturalmente aparelhado. Desta maneira, a harmonia e a unidade imperarão. É preciso, por outro lado, evitar a discórdia entre as castas sociais; portanto, na república platônica haverá comunismo de bens e a família estará abolida, pois tanto as relações familiares como as patrimoniais são fontes de egoísmo e de desavença.
Resumindo: Platão descreve, em A República, um modelo em ideal em de Estado, sem se vincular à realidade do seu tempo.

Fonte: Diálogos em A República, de PLATÃO.

Minhas considerações:

A palavra grega Sofocracia faz referência ao sistema político idealizado por Platão - podemos, com efeito, traduzi-la como "Governo do Sábio".
A base estrutural deste sistema é a organização social através de funções, que seriam definidas no decorrer da vida educativa: o jovem seria educado (Paideia) e, sendo executados cortes nas salas, as funções seriam definidas. Dessa forma podemos citar alguns cortes:

- Aos vinte anos seria executado o primeiro corte: aqueles que não tiverem aflorado uma sensibilidade aguçada trabalhariam na agricultura, artesanato e comércio.

- Dez anos depois identificaríamos a virtude da coragem, selecionando guerreiros para os exércitos.

- Os que passassem nestes cortes (crivos) estudariam "a arte de Pensar" (Filosofia), que elevaria o pensamento até o puro raciocínio.

- Aos 50 anos eles estariam prontos para legislar a sociedade.

Isso me leva a verificar duas situações:

1ª - Os cortes, sugeridos por Platão, seriam, nos dias atuais, vistos como “politicamente incorreto” (literalmente rsrs), pois seriam taxados de discriminação e/ou preconceito. Pronto: lá estaria Platão destinado ao calabouço!

2ª - O problema, muito menos a solução, não está no tipo de regime, mas sim na ambição cruel e natural do ser humano.

Em suma: a sociedade, em qualquer hipótese, nunca será perfeita, nem justa, nem equilibrada.

O melhor regime - ou o menos pior, seria o socialismo (comunismo), porém, mais uma vez, o que o estraga e não o faz funcionar é, mais uma vez, o... ser humano! rsrs

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui seu comentário. Ele é a nossa recompensa.